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Do mistério da vida: sofrer primeiro para ser feliz depois

Do mistério da vida: sofrer primeiro para ser feliz depois.
Por: Vinicius Martinez
“Devemos suportar tudo, porque o sofrimento é pequeno e a recompensa é grande.” Santa Catarina de Sena 
Um magnífico sinal da Graça de Deus em nossas vidas é quando uma pessoa que amamos ou que temos grande consideração por ela. 
Nos machuca em decorrência de uma atitude, seja uma escolha ou uma declaração que tenha ferido os nossos sentimentos, assim como também tenha contrariado a nossa vontade.
O ser humano naturalmente ao ser contrariado em sua vontade tende a se entristecer, pois, de fato dói ter a nossa vontade, os nossos desejos sido negados —, dói ser machucado por uma pessoa que tanto amamos. 
Geralmente a reação natural após sermos machucados por uma pessoa, é de tristeza, revolta e raiva. No entanto, por alguma operação de ordem sobrenatural. 
Ainda que entremos numa forte tristeza, ainda que choremos muito por causa da dor que sentimos, ainda assim em nosso coração persiste o Amor, o desejo do Sumo…

Sobre o Amor e outros assuntos

Sobre o Amor e outros assuntos.

Por: Vinicius Martinez
 Ao meu amor Helena Martinelli.

Do Amor viemos e para o Amor devemos retornar. Há uma grande diferença entre o homem que ama e o homem que está apaixonado: o primeiro trabalha para que a pessoa que ele ama alcance a Felicidade em Deus e a alegria na Boa Vida, o segundo age para si mesmo utilizando da pessoa que ele gosta para saciar seus afetos — e para alimentar sua falsa concepção de que a Felicidade será alcançada com o preenchimento de sua carência afetiva. O Amor é eterno, a Paixão é temporária.

O Amor é um ato racional, por isso só é possível entre os seres dotados de inteligência, é uma escolha que foi tomada por uma pessoa que já foi apaixonada um dia, porque todo amor começa primeiramente pelas paixões nobres que passam pela Vontade e que são ordenadas e aderidas na Inteligência.

Mas são muitos que não querem sair da paixão porque não estão dispostos a amarem verdadeiramente, porque amar também significa sacrifício, — e aqueles que são apaixonados desejam apenas desfrutar das alegrias, mas não estão dispostos a pagarem o preço do amor que por vezes também significa sofrer pelo outro, é por isso que é mais confortável romantizar tudo e criar uma grande fantasia para não ferir-se.

Quando amamos uma pessoa significa que ocorreu uma adesão intelectual à pessoa amada e quando isso ocorre, o amor permanece perpetuamente e não há absolutamente nada capaz de destruí-lo. É impossível deixar de amar alguém que amamos verdadeiramente, assim como é impossível de remover a marca que recebemos de Deus ao sermos batizados.

O apaixonado não entende o motivo de ele "gostar" da outra pessoa, não compreende porque há um impulso tão forte pela pessoa, a paixão na maioria das vezes é uma forma de gostar do outro de maneira erótica, ou seja, ter desejo afetivo-sexual ou também uma espécie de dependência meramente afetiva excluindo a parte sexual. A paixão é como se fosse uma grande explosão que jorra fogo para todas as direções e sendo uma explosão, torna-se perigosa, ademais, sendo fogo, pode queimar, além disso, sendo assim — torna-se passageira.

Já aquele que ama compreende o motivo de seu amor pela a outra pessoa, — embora ela por vezes não consiga explicar com clareza total do porquê desse amor, mas é capaz de demonstrar racionalmente a razão de seu amor pela outra e sempre demonstrar de forma digna pelos gestos e atitudes o motivo de seu amar.

A paixão é um ato irracional, muitas vezes quando se estende por demasia, torna-se algo egoísta que surge mediante a muitas variáveis, — seja pela realidade psíquica e/ou fisiológica do ser humano. Todavia, o amor é um ato racional que se dá no Intelecto que recebe os dados primeiramente pelos sentidos, com efeito, com os dados reunidos, a inteligência forma juízos — e então surge a escolha que por sua vez também é movida por certas paixões auxiliares, pois também é necessário que haja paixões para que possam mover o amante ao amado, ora, toda paixão é passageira, mas todo amor é permanente. Além disso, as paixões em si não são más, mas podem se tornar dependendo do objeto a qual se dirigem.

Ademais. — É por isso que quem ama conhece, ora, não se ama o que não conhece, para amar a Deus é necessário primeiramente conhecê-lo — e ao conhecer a Deus, o amamos porque vemos nele a suprema realeza, a suprema dignidade que o torna digno de todo nosso amor, porque ele é a causa de nosso ser e existência, é por isso que primeiramente amamos a Deus.

Ademais. — Ora, porque amamos os nossos pais? Primeiro, porque eles nos deram a vida, segundo que em retribuição ao primeiro o amamos e em terceiro porque são criaturas feitas na imagem e semelhança de Deus. Ora, porque o Marido ama a Esposa? Primeiro, porque ela ama a Deus sobre todas as coisas, segundo porque ela o ama, terceiro porque ela é a eleita por Deus para que auxilie ele na caminhada para os céus, etc, etc.

Com efeito, analogamente acontece com os seres humanos, eles amam o outro verdadeiramente apenas se conhecem profundamente um ao outro e quanto mais se conhece, mais o amor tende a aumentar, porque quanto mais conhecemos as perfeições divinas, mais amamos a Deus —, o mesmo em relação ao outro, quanto mais sabemos de suas qualidades e defeitos, mais podemos amar, ademais, quanto maior as adversidades, — mais o amor é provado.

Ora, se Deus que é o Amor, ama as criaturas que são falhas e miseráveis infinitamente, porque acaso nós criaturas miseráveis e falhas não podemos amar outras criaturas falhas e miseráveis? Com efeito, torna-se meritório o amor que se dirige àquele que não é perfeito, todavia, o amor tem por objeto a Deus e para alcançar a Deus é necessária a perfeição, logo, o amante deseja que sua amada se torne perfeita para ser digna de Deus, aquele que ama deseja a eternidade do outro.

Ademais. — Conhecendo a Deus, podemos compreender que o Nosso Bom Deus nos fez na sua imagem e semelhança, ora, sendo imagem e semelhança de Deus, todos nós devemos nos amar, com efeito, é por isso que o Senhor diz: "Ame a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo". Todavia, há gradações e tipos de amor.

Com efeito, há pessoas que escolheram amar de forma a ter uma família, ou seja, por via do matrimônio, exercitando um vínculo supremo de amor que é expresso pelo Matrimônio e outras que amam os demais como amigos e outras que amam os demais apenas pelo fato de terem sido criadas por Deus. Ademais, há aqueles que amam tanto a Deus que abandonam tudo, focando o amor que podem dar, apenas a Deus mesmo.

Ademais. — O amor sendo algo racional e a inteligência é quem deve mover todos os atos do Homem mediante também a Graça, sucede que os atos, ou seja, as atitudes são mais importantes que as palavras, ora, é mais fácil dizer: "amo-te mulher" ou realmente amar na prática com gestos e atitudes? Por isso que mais uma vez o romantismo torna-se tosco, porque coloca mais ênfase nas palavras do que nos gestos, todavia, até mesmo nos gestos o romantismo erra ao torná-los irracionais e egoístas, tendo em vista a satisfação apenas do amado.

Ademais. — Se devemos amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo, significa que amamos as coisas criadas pelo reflexo da bondade de Deus nas coisas por ele feitas, com efeito, se odiamos o próximo ou algo criado por Deus, significa que indiretamente ou diretamente odiamos o Senhor. É também por isso que o Senhor nos revela que: "Aquele que diz que me ama, mas odeia o irmão é um mentiroso". Do mesmo modo que todo gnóstico odeia a Deus por dizer que a parte material de sua criação é má, ademais, os panteístas também igualmente o odeiam por amar apenas a matéria em detrimento do que é espiritual.

Além disso, também aqueles que amam mais as criaturas e as coisas criadas do que Deus, não amam de forma perfeita, mas possuem um amor deveras imperfeito, porque todo amor se dá primeiramente em Deus que é fonte de todo amor, fora de Deus não existe verdadeiro amor, ora, se o amor parte e se direciona para algo que não seja Deus primeiramente é vazio e passageiro, em outras palavras, é uma afeição, uma paixão meramente humana e não uma propriedade transcendental que nos é transmitida por Deus que nos possibilita a amar.

Além disso, é por isso que a maioria dos relacionamentos são fracassados, pois os casais entram pelas paixões que são passageiras e nas mínimas adversidades com o outro, sentem repulsa por não terem a paixão alimentada como desejariam, todavia, os casais que se amam, firmam-se em algo transcendental, que é permanente, cuja fonte é o próprio Amor que chamamos Deus. Com efeito, somente é verdadeiro e bela a relação onde o homem e a mulher amam a Deus sobre todas as coisas, porque amando a Deus, certamente amarás a ti de forma perfeita a tal ponto de fazer de tudo para que tu te tornes perfeito e digno das Promessas de Cristo, por isso, nada de romantismo fajuto, o dia dos namorados que também serve aos casados deve ser primeiramente uma recordação do Amor Primário que é Deus que permitiu que nós sejamos capazes de amar e com essa belíssima graça obtida, temos a pessoa que escolhemos amar ao nosso lado e consequentemente podemos dar Glória ao Amor.

Ademais. — Dizia o Mestre Angélico: "Nenhum homem possui verdadeiramente a alegria a menos que ele viva apaixonado. [...] O amor é o desejo de eternidade do ser amado. [...] O amor é a alegria pelo bem; o bem é único fundamento do amor. Amar significa querer fazer o bem para alguém".

Ademais. — Dizia o Doutor da Graça, a saber, Santo Agostinho: "Só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor. Amar por outro motivo não é amor".

Ademais. — Dizia o Doutor da Graça: "Necessitamos um do outro, para sermos nós mesmos".

Ademais. — Dizia a Doutora do Amor, a saber, Santa Teresinha: "Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo".

Ademais. — Dizia a Doutora do Conselho, a saber, Santa Catarina de Sena: "Por amor Deus os criou, sem amor não podeis viver [...] O amor por Deus e pelo próximo são uma só coisa".

Ademais. — Dizia o Doutor Místico, a saber, São João da Cruz: "Amar não cansa e nem se cansa".

Ademais. — Dizia o Filósofo, a saber, Aristóteles: "O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição".

Ademais. — Dizia o Educador, a saber, Platão: "Só pelo amor o homem se realiza plenamente. [...] Quem ama extremamente, deixa de viver em si e vive no que ama".

Ademais. — Dizia o Dramaturgo, saber, William Shakespeare: "O amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva às vicissitudes, é uma marca eterna que sofre tempestades sem nunca se abalar".

Ademais. — Dizia Victor Hugo: "Amar é saborear nos braços de um ente querido a porção de céu que Deus depôs na carne".

Por fim: As 22 verdades sobre o amor:

1. Deus é o Amor.
2. Todo Amor vem de Deus.
3. O Amor é sempre uma escolha.
4. O Amor é Sacrifício.
5. O Amor exige verdade sempre.
6. O Amor é uma efetivação que deve ser construída.
7. O Amor não morre.
8. O Amor deve ser alimentado.
9. O Amor deve ser demonstrado mais pelas ações que pelas palavras.
10. Amar alguém é desejar que esse alguém vá para os Céus.
11. Amar nunca cansa.
12. Amar significa dar-se a si mesmo em vista do Sumo Bem do amado.
13. Aqueles que amam uma pessoa, sempre amarão aquela pessoa.
14. A distância não impede que um Amor seja construído.
15. As paixões nobres são a entrada para a efetivação de um Amor.
16. Ele se dá na Vontade, mas é aderido pela Inteligência.
17. É uma Adesão entre a pessoa que ama e a pessoa que é amada.
18. Aquele que ama sempre é aberto e sincero ao amado, dizendo tudo o que pensa e deseja, incluindo falar sobre suas fraquezas.
19. Nós conhecemos as pessoas verdadeiramente pelas coisas que elas amam.
20. Aquele que ama sempre fala sobre o Santo Matrimônio e sobre construir uma vida juntos.
21. Aquele que ama quer ser sempre o seu melhor amigo: seja na amizade pura e simples ou na amizade numa relação entre marido e mulher.
22. Aquele que ama está disposto a fazer de tudo para provar seu amor pelo amado.

Finalizo, dizendo que se se há uma forma "empírica" e aqui utilizo apenas de forma pedagógica, pois a "existência de Deus" não pode ser comprovada, mas demonstrada racionalmente, pois Deus não existe, Deus é! Todavia a afirmativa de que ele é, trata-se de uma árdua demonstração metafísica e teológica, ademais, afirmar literalmente que Deus existe, é dizer que ele foi em algum momento criado na existência, ora, se ele foi criado, significa então que há um outro criador que o antecedeu, todavia isso não pode proceder ao infinito, Deus é eterno e imutável, nunca foi criado, o Divino Pai gerou o Divino Filho que por sua vez gerou o Divino Espírito Santo desde a Eternidade.

Ora, somente um Deus que é comunhão é capaz de amar, um Deus que fosse sozinho não teria em seu ser a característica própria do amar que é sempre participativo de uma comunhão, todavia conforme nos foi revelado, Deus é Uno e Trino, uma só substância divina que possui três pessoas distintas participando dela, é por isso que Deus é Amor, o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai e o Espírito Santo é o reflexo do Amor entre ambos.

Ademais. — Dizia o Filósofo: "O homem solitário é uma besta ou um deus". Com efeito, nem mesmo Aristóteles por falta da Revelação poderia imaginar que nem mesmo Aquele que é, — é só, em verdade ele é comunhão, porque são três em um, sucede que a solidão é algo totalmente contrário ao ser, e se nem mesmo Deus é só, — imagine nós meros mortais vivermos sem a companhia de um Amor que é tão perfeitamente expressado pela união de um Homem e de uma Mulher.

Ademais. — É por isso que o Matrimônio por sua vez é a antecâmara da visão beatifica, pois o Homem e a Mulher que se tornam Marido e Mulher tornam-se comunhão e o fruto do amor de ambos gera os filhos, essa participação é também reflexo da qualidade da Trindade que é comunhão. Ademais, por isso que quando se trata de uma relação conjugal, este por sua vez é constituída de Deus, Marido e Mulher.

Ora, se remove Deus dessa relação, ela se torna deformada, porque somente Deus pode dar ao casal os meios de se amar perfeitamente, porque onde há verdadeiro amor há Deus, porque Deus é amor, do contrário, funda-se uma relação meramente natural baseado em afeições e sentimentos meramente humanos, mas a finalidade do Homem não é natural, é sobrenatural, a finalidade última do Homem é a contemplação da Verdade, isso é, conhecer a essência de Deus mesmo, fonte suprema de amor onde o coração do Homem pode repousar em definitivo.

Todavia há uma coisa a ser demonstrada para comprovar abertamente a "existência de Deus" que nunca vi muitos dizer, que se consiste no fato de que podemos amar, ora, o ato de amar é uma prova indubitável que há algo para além dessa realidade, ou seja, o amor sendo transcendente, não pode ser de maneira alguma causado pelos mecanismos naturais dos seres humanos, a saber, biológicos, químicos, neurais, psíquicos, etc, mas de algo que vem de uma fonte que é Puro Amor e esse chamamos Deus.

Glória a Deus! Ave Maria Santíssima! Salve Roma Eterna! Força e Honra! Sempre Fiel! Ó Santíssima sob o título de Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós! São Valentim, rogai por nós!

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